A minha experiência anterior me fez acreditar que tal processo seria mais fácil, o saber dava uma confiança boa, uma sensações de poder perante os que não sabiam. Mas foi muito mais difícil.
A escolha me deu medo, qualquer possibilidade parecia mais fraca, comum, simples. Resolvi optar pelo simples, apostei minhas fixas na realidade do comum. Jogo Ganho! Verdade interior destruida.
Aquela possibilidade possível me doeu tanto. Fiquei fraca. Aquela mentira era tão real. No teatro, o Homem mostra o Homem para o Homem, e naquele momento o “eu de mentira” me mostrou o “eu de verdade”. Eu me despi para mim mesma. Toda a força que eu pensava ter sumiu. Restou somente um pedaço fraco, medroso, acomodado e sem nenhuma possibilidade de tornar qualquer desejado real.
Pois é, eu acabei me descobrindo muito mais falsa do que esperava. Tantas pessoas me enxergam como uma pessoa forte, ativa, decidida e dedicada, mas não é verdade! Não que eu finja tudo isso para o mundo, finjo para mim mesma. Se eu me vejo como forte, não há razão para tentar mudar, e isso me torna muito mais fraca!
Eu queria tanto ter ficado! Mas eu não consegui. O meu medo me mandou ir e deixar as coisas normais tão normais quanto sempre foram. Eu segurei minhas lágrimas para não confessar ainda mais minha fragilidade para mim mesma, mas essa verdade que escondo de mim me deu tanto medo. Eu não quero isso! Eu quero o risco de uma vida com a possibilidade de um sonho. Caso contrario, nada disso tem valor.
Foto pink
terça-feira, 16 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
entre
Quando recente ele é eterno, a inocência, a esperança e a mistura de sensações que faz com que nos sintamos realmente vivos e únicos tornam o início de uma experiência romântica realmente mágica e efêmera.
Acreditem casais felizes, em um momento qualquer e infeliz o início perde seu lugar para o entre. Eu, particularmente, temo o entre. Não sei se o que me aguarda é fim, ou o paraíso. É uma espécie de espera pelo desconhecido.
O entre me tornou mais forte, mas quando eu me lembro dos meus dias frágeis eu o vejo com mais nitidez, como se minha alma fizesse parte da sua. Mas agora sou eu e você, duas unidades próximas, mas separadas.
Eu tento não sentir falta do início e me convencer do quão tudo é mais certo agora, mas o amor que existe em mim não cabe nesse entre. Eu quero o início, o fim ou o paraíso. Eu preciso de um lugar com espaço para despejar o que existe dentro de mim.
Acreditem casais felizes, em um momento qualquer e infeliz o início perde seu lugar para o entre. Eu, particularmente, temo o entre. Não sei se o que me aguarda é fim, ou o paraíso. É uma espécie de espera pelo desconhecido.
O entre me tornou mais forte, mas quando eu me lembro dos meus dias frágeis eu o vejo com mais nitidez, como se minha alma fizesse parte da sua. Mas agora sou eu e você, duas unidades próximas, mas separadas.
Eu tento não sentir falta do início e me convencer do quão tudo é mais certo agora, mas o amor que existe em mim não cabe nesse entre. Eu quero o início, o fim ou o paraíso. Eu preciso de um lugar com espaço para despejar o que existe dentro de mim.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Sobre meninas virgens
Sempre idolatrei a inexperiência. Acreditava na beleza do “nunca ter feito algo”, me parecia puro e ao mesmo tempo sedutor. Então interiorizei meus desejos secretos e minhas ambições assustadoras, como uma menina que esconde o diário no fundo de uma caixa, e depois a guarda em um quarto escuro abandonado. Mas agora eu mudei de idéia. Ou melhor, não há mais espaço algum no meu quarto cheio de segredos. As caixas começaram a estourar, e o conteúdo do quarto impossibilitava que sua porta fosse trancada. Sinto vontade de gritar. Realizar meus sonhos. Concretizar meus desejos.
Tenho pavor do “nunca”. Não quero que minha vida seja repleta de tal palavra, mas tenho medo de não dizer não para o mundo. A resistência ao “meu eu” tornou-se um hábito amargo, tão amargo que não agüento mais engolir. Pareço uma criança satisfeita, que o pai severo obriga à comer até o final, ela resiste, mas cede por medo da violência.
Não vou mais me importar com a imagem que gostaria de manter. Quero me aceitar, e para tanto me abrirei para novas sensações, não me importarei com as conseqüências. Prefiro o arrependimento ao ressentimento que a inexperiência me traz. A casca que as pessoas enxergam será rompida, a maioria enxergará a podridão do meu quarto escuro, mas se alguém achar um pedacinho de vidro delicado e sensual, toda essa exposição valerá a pena.
Tenho pavor do “nunca”. Não quero que minha vida seja repleta de tal palavra, mas tenho medo de não dizer não para o mundo. A resistência ao “meu eu” tornou-se um hábito amargo, tão amargo que não agüento mais engolir. Pareço uma criança satisfeita, que o pai severo obriga à comer até o final, ela resiste, mas cede por medo da violência.
Não vou mais me importar com a imagem que gostaria de manter. Quero me aceitar, e para tanto me abrirei para novas sensações, não me importarei com as conseqüências. Prefiro o arrependimento ao ressentimento que a inexperiência me traz. A casca que as pessoas enxergam será rompida, a maioria enxergará a podridão do meu quarto escuro, mas se alguém achar um pedacinho de vidro delicado e sensual, toda essa exposição valerá a pena.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Desejo
O desafio de não ser o que sou me atormenta. Parecia mais fácil quando era apenas um sonho e algumas brincadeiras bobas. Agora eu tento com força, mas só sinto a unidade do meu ser implorando para não abandonar meu corpo. Eu quero o vazio. Mas um conjunto de formas já me domina por completo. Seria possível renascer e construir uma vida vazia? Sem personalidade, só uma massa quente, que se transforma no que eu quero quando quero.
Eu queria ter o poder de esculpir o meu corpo e a minha alma como um artista, colocar e tirar tudo no instante que desejasse. Só no meio do nada cabe tudo. E o nada é difícil! Não queria me destruir para alcançar tal desejo. Mas ao mesmo tempo adoraria me destruir para investir no vazio. As minhas incapacidades, inseguranças e formas grotescas não vão me fazer tanta falta.
Quem me ensina a me moldar? Tenho medo de apagar tudo e não saber transformar o meu vazio em algo. Mas será que é uma questão de um molde concreto?Ou é só permitir que uma entidade entre em você durante tempo determinado? Não sei. Quanto mais eu procuro entender e descobrir maior fica minha insegurança.
Eu queria ter o poder de esculpir o meu corpo e a minha alma como um artista, colocar e tirar tudo no instante que desejasse. Só no meio do nada cabe tudo. E o nada é difícil! Não queria me destruir para alcançar tal desejo. Mas ao mesmo tempo adoraria me destruir para investir no vazio. As minhas incapacidades, inseguranças e formas grotescas não vão me fazer tanta falta.
Quem me ensina a me moldar? Tenho medo de apagar tudo e não saber transformar o meu vazio em algo. Mas será que é uma questão de um molde concreto?Ou é só permitir que uma entidade entre em você durante tempo determinado? Não sei. Quanto mais eu procuro entender e descobrir maior fica minha insegurança.
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