Foto pink

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domingo, 25 de dezembro de 2011

Você já sentiu tanta saudade que teve medo que o seu coração explodisse?

A saudade que digo não é aquela que temos do que está longe, mas sim, a saudade de um tempo que não volta. É umasaudade amarga, que mesmo quando pequenininha, nunca poderá ser dissolvida.

Sinto falta da luz que ocorria em seus olhos quando me olhava, daquele seu orgulho, do seu carinho, da confiança que minhas escolhas lhe davam. Esse tempo me doi tanto. Por mais que não passe de um saudosismos mentiroso, é uma dor decorrente da sensação de que no passado havia um amor de sua parte que hoje não sei se existe. Não sei, porque nem ao menos tenho coragem de olhar em seus olhos e tentar imaginar oque é isso que se passa dentro de você.

Só de pensar em você já doi. Esse ato vem carregado com a consciência de que nunca irei corresponder qualquer expectativa sua, não tenho capacidade para tanto, e nem ao menos tenho vontade. Queria que você percebesse que me tornei alguém completamente diferente de você, mas que isso não fez com que eu deixasse de te amar e admirar.

Queria que você me olhasse e enxergasse o que eu sou, não o resultado fracassado daquilo que você gostaria que eu fosse.

Sinto falta do colo do meu pai.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fala que eu não te escuto

PAI – Já chega. Não vou mais permitir que me tenha como um escravo. Se amenos disfarçasse seus interesses. Antigamente, você dizia “Pai, eu te amo” antes de me pedir algum dinheiro. Agora você age como se te aceitar e te bancar fosse minha obrigação, você trata a possibilidade de eu não exercer suas vontades como uma grande ousadia de minha parte. Mas não vou mais permitir tais mimos. Só exercerei meu papel de pai à medida que você exerça o seu de filha. Com isso quero dizer que, você deve me amar e zelar por mim, assim continuarei financiando suas despesas e mimos.


FILHA – Independente de todas as outras coisas que tenho para te falar, o mais importante é dizer que te amo. Nasci amando. E continuei amando apesar das inúmeras tentativas de te odiar. Peço desculpas por tais tentativas, mas independente da crueldade de uma filha que tenta odiar o pai, o resultado de tal gesto só comprova o quão genuíno é meu amor. Até me arrisco em dizer que esse sentimento, é a única certeza que possuo em relação a você. É como se você tivesse unanimidade neste quesito, afinal mesmo presenciando você agredir minha mãe algumas vezes, ou ouvindo você dizer com ódio em inúmeras ocasiões que eu destruo seu casamento e sou uma filha de merda, não consigo deixar de te amar. Nunca tive força para guardar raiva de você. Já me senti fraca e injusta por isso. Mas, hoje tenho certeza que essa minha capacidade de amar, sem expectativas e independente de qualquer coisa, é a minha maior qualidade.

(BO – Luz PAI)

PAI – Se fosse só esse seu jeito excêntrico de ver o mundo eu não sofreria tanto. O que me fere é essa condição obscura que existe entre nós. Eu sei que meus pecados são impossíveis de ser perdoados em vida. Você e sua mãe não me enganam. Tenho consciência de que cada gesto de carinho é alimentado pelo ódio. Mas não sei o que é pior, viver um relacionamento bonito e podre, ou permitir que aqueles que amo estejam livres para me abandonar. Ainda não tenho coragem para vos libertar. O único bem que sou capas de fazer é trabalhar, e me aniquilar aos poucos com drogas, bebidas, e uma vida completamente oposta àquilo que é considerado ideal. Assim, você, sua irmã e sua mãe, estarão livres de mim o quanto antes, e poderão enfim ser felizes, coisa que minhas ações nunca permitiu, e que as memórias que minha presença traz torna impossível.


FILHA – Eu sei que nunca serei nada daquilo que você espera. E isso me machuca tanto. Se pelo menos eu tivesse a desculpa de ter sido sufocada pelas suas expectativas. Mas antes de optar por qualquer ideal de filha, você preferia me ver sorrir. Eu nunca fui ou serei a melhor em qualquer coisa que faça, por mais que isso seja algo que amo muito. E por mais que não haja nenhum tipo de cobrança, eu te agrido como posso. Agrido ao não demonstrar nenhum tipo de saudade e agrido muito mais ao não sentir saudades. Ao querer apenas estar livre e poder contemplar o meu fracasso, sem a culpa de fracassar naquilo que eu sempre quis e tive a motivação de todos.


PAI – Se você soubesse o quanto eu me culpo, seu ódio e ressentimentos seriam dispensáveis. Na verdade eu até mesmo agradeço por eles, pois é a prova de que você já me amou algum dia, caso contrário eu teria somente sua indiferença. Só agradeço por todo amor que você já me deu, agradeço até mesmo pelos teus maus sentimentos, eles auxiliam em minha redenção. Meu comportamento agressivo me impede de comprovar isso, mas o amor que tenho por ti é de uma dimensão que qualquer ato ou palavra de carinho não seria capaz de evidenciar com dignidade. Queria que você soubesse que todas as minhas cobranças só traduzem o orgulho que tenho de ti, elas são a minha crença de que você tem a capacidade de se tornar cada vez melhor, e se eu as mantenho é porque você as corresponde com excelência. Só queria ter a certeza de que você saiba que a amo como qualquer pai orgulhoso ama a filha. Acredito em você, admiro sua coragem e te amo antes de qualquer coisa, porém tenho medo demais de te perder.


FILHA - Só queria confirmar se tem certeza de que se mantenho algum vínculo com você, e até mesmo com o resto da nossa família, é porque preciso. Ainda não tenho condição de andar com as próprias pernas, por isso me rastejo até você feito uma fracassada e me humilho, e só assim posso trilhar meu caminho. Mas não tenha dúvidas de que isso será por pouco tempo, assim que eu tiver uma condição mínima não permitirei tal condição, e assim estarei livre desse sofrimento que você me proporciona. E você também livre de mim.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aquilo que se esconde em minha memória

Minhas últimas reflexões me fizeram chegar a atual conclusão de que somos constituídos por nossas ações e experiências. Graças a fragmentos ocultos do passado me tornei silêncio. O momento de descobertas supõe que o desconhecido seja apreciado, e que o oculto seja revelado. Portanto, como quem conta uma história irreal para alguém, esse texto tem como pretensão arrancar as feridas do meu passado e reiniciar o processo de cicatrização.

Era muito tarde. A menina estava em sua cama junto da mãe. A mulher cheia de receios esperava pelo adormecer da filha ansiosamente,ela fazia de tudo para que a menina não notasse a ausência do pai. Regina sabia exatamente o que iria acontecer dentro de alguns minutos ou horas.

Alberto chegaria em casa com o nariz inchado e os olhos vidrados, ele a olharia repleto de ódio, não ódio da esposa, mas daquele recente passado que havia sido destruído exatamente por aqueles que Alberto amava. Essa objeção por destruir suas ultimas jóias era uma maneira de negar sua fraqueza evidenciando uma força irracional e maligna.

Regina já incluíra a violência em seu cotidiano, mas não era isso que lhe roubava a alma, mas o receio de que Roberta descobrisse o que se passava naquele lar.

Naquela noite, mais uma vez Alberto chegara no meio da madrugada com um pretexto tolo para agredir sua esposa. E da forma que acontecia nos dias anteriores, Roberta simulou o sono para livrar a mãe dos receios maternos e pai das culpas posteriores.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Menino

A grama engolia o menino que olhava fixamente para aquele horizonte azul. A luza que fazia seu rosto pingar lhe trazia uma leveza que não era encontrada em lugar algum. Aquela hora do dia era a mais importante, quando ele se dava esse momento podia correr o dia inteiro sem necessitar de qualquer comida. "Joãooo! Vorta pra casa!" Aquela voz grosseira e doce de sua mãe o fazia despertar para a realidade. Então ele voltava para casa, esperava o tempo passar e deitava novamente em seu berço verde e quente.